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Quantas empresas brasileiras usam IA? 17%, e o porte explica quase tudo

A pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, ouviu 4.174 empresas e encontrou 17% delas usando inteligência artificial — eram 13% um ano antes. A média esconde o que interessa: entre as grandes a adoção chegou a 50%, enquanto entre as pequenas ficou em 15%. Este artigo mostra o que o número mede, por que ele cresceu agora e qual caminho de adoção as empresas brasileiras realmente usaram.

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Dezessete por cento, com uma distância grande entre portes

Em 2025, 17% das empresas brasileiras com 10 ou mais pessoas ocupadas usavam inteligência artificial — eram 13% em 2024. O avanço não foi parelho: entre as grandes, a adoção subiu de 38% para 50%; entre as pequenas, de 10% para 15%.

Quatro pontos de alta em um ano
Grandes: 50%. Pequenas: 15%
80% compraram software pronto

O que a TIC Empresas 2025 encontrou

Empresas brasileiras que usavam IA em 2025, contra 13% em 2024
17%Empresas brasileiras que usavam IA em 2025, contra 13% em 2024Cetic.br | NIC.br, TIC Empresas 2025 — 4.174 empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas
Adoção entre as pequenas, de 10 a 49 pessoas ocupadas; eram 10% em 2024
15%Adoção entre as pequenas, de 10 a 49 pessoas ocupadas; eram 10% em 2024Cetic.br | NIC.br, TIC Empresas 2025
Adoção entre as grandes, de 250 ou mais pessoas ocupadas; eram 38% em 2024
50%Adoção entre as grandes, de 250 ou mais pessoas ocupadas; eram 38% em 2024Cetic.br | NIC.br, TIC Empresas 2025
Das que adotaram IA, a parcela que comprou software ou sistema pronto para uso
80%Das que adotaram IA, a parcela que comprou software ou sistema pronto para usoCetic.br | NIC.br, TIC Empresas 2025
Contrataram fornecedor externo para desenvolver ou adaptar a solução
60%Contrataram fornecedor externo para desenvolver ou adaptar a soluçãoCetic.br | NIC.br, TIC Empresas 2025
Grandes empresas que desenvolveram IA internamente; eram 24% em 2024
37%Grandes empresas que desenvolveram IA internamente; eram 24% em 2024Cetic.br | NIC.br, TIC Empresas 2025

Quantas empresas brasileiras usam inteligência artificial?

Em 2025, 17% das empresas brasileiras com 10 ou mais pessoas ocupadas usavam alguma forma de inteligência artificial, contra 13% em 2024. O dado é da 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, do Cetic.br | NIC.br, que entrevistou 4.174 empresas por telefone entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026 (Cetic.br, 06/2026).

Vale fixar o recorte antes de qualquer leitura: a pesquisa cobre empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas (Cetic.br, 06/2026). O microempreendedor e a empresa de cinco funcionários estão fora da amostra. Quando alguém diz "só 17% das empresas brasileiras usam IA", o universo real por trás da frase é menor e mais formalizado do que o país inteiro.

O Cetic.br registra que esse crescimento altera uma tendência verificada desde que o indicador começou a ser medido, em 2021. É a primeira virada relevante da série.

Por que a adoção cresceu justo agora?

A adoção cresceu porque a IA chegou embutida em programas que as empresas já usavam, não porque elas decidiram mudar a forma de trabalhar. Quem coordenou o estudo diz isso com todas as letras — e é a informação mais útil do levantamento inteiro para quem está avaliando o assunto.

"Atualmente, as tradicionais soluções digitais usadas pelas empresas podem incluir alguma aplicação de IA, por exemplo IAs generativas, sobretudo na simplificação de processos administrativos e outras atividades internas. Nesse cenário, o aumento observado no uso dessa tecnologia pode ser entendido mais como uma adaptação dos processos das empresas, do que como uma mudança estrutural na forma como operam."

— Leonardo Melo Lins, coordenador do estudo (Cetic.br, 06/2026)

Traduzindo: boa parte dos quatro pontos de alta veio do fornecedor que ligou um recurso novo, não de um projeto que alguém aprovou. O sistema de gestão ganhou um resumo automático, o pacote de escritório ganhou um assistente de escrita, a ferramenta de atendimento ganhou sugestão de resposta. A empresa passou a usar IA no dia em que atualizou o contrato.

Isso tem uma consequência prática desconfortável. Se a adoção veio de fora, ninguém dentro da empresa decidiu onde aquilo seria usado, quem revisa o resultado e o que acontece quando a sugestão vem errada.

Como as empresas brasileiras estão adotando IA?

As empresas brasileiras adotaram IA comprando, não construindo: entre as que usam a tecnologia, 80% adquiriram softwares ou sistemas prontos para uso e 60% contrataram fornecedores externos para desenvolver ou adaptar soluções (Cetic.br, 06/2026). Os percentuais somam mais de 100% porque uma mesma empresa costuma usar os dois caminhos.

O desenvolvimento interno aparece quase só no topo da pirâmide: entre as grandes empresas, ele saltou de 24% para 37% em um ano (Cetic.br, 06/2026). Nas pequenas, continua sendo exceção — e não é falta de ambição, é falta de gente. Desenvolver IA internamente exige equipe de dados dedicada, e esse cargo não existe numa empresa de 30 funcionários.

Aqui vale uma observação de quem implanta esse tipo de projeto. A VT Sávio encontra com frequência empresas que já pagam por três ferramentas com recurso de IA embutido e não usam nenhum dos três — o recurso está ligado, ninguém foi treinado, e a assinatura é renovada todo mês. Antes de contratar qualquer coisa nova, vale abrir a lista de sistemas que a empresa já assina e conferir o que está pago e parado. É a parte mais chata do diagnóstico e a que mais devolve dinheiro no primeiro mês.

Por que a empresa pequena adota 15% e a grande, 50%?

A distância entre 15% e 50% de adoção (Cetic.br, 06/2026) não se explica por preço de ferramenta, porque as ferramentas ficaram baratas para os dois portes. Ela se explica por três coisas que a empresa grande tem e a pequena não: alguém responsável por tecnologia, dado já organizado em sistema e escala que paga o tempo de implantação.

Repare que o item mais caro dessa lista não é software. É tempo de gente para colocar em pé — mapear o processo, testar, corrigir, treinar quem vai usar. Numa empresa de 30 pessoas esse tempo sai do dono ou do gerente, que já estão ocupados operando. A assinatura costuma caber no orçamento; as semanas de atenção que a implantação consome, não.

Vale afastar a explicação que costuma aparecer primeiro, porque os dados não a sustentam mais: conectividade. Em 2025, 93% das empresas brasileiras já tinham conexão por fibra óptica, contra 87% em 2021 (Cetic.br, 06/2026). Para a maioria das empresas, o acesso deixou de ser o gargalo.

E há um detalhe que contraria a leitura pessimista da distância entre 15% e 50%:

"Os novos resultados da pesquisa TIC Empresas evidenciam maior escala de soluções de IA no mercado, impulsionadas principalmente pelo aumento de seu uso entre as pequenas empresas, embora ainda haja muito espaço para crescimento"

— Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br | NIC.br (Cetic.br, 06/2026)

A aritmética explica por quê. As pequenas empresas representam 87% da população-alvo da pesquisa, então os cinco pontos que elas ganharam movem o indicador geral quase sozinhos — os quatro pontos de alta do país saem praticamente daí. A pequena empresa está longe da grande e foi ela quem puxou o crescimento. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo.

Daqui para baixo o texto entra na parte mais específica: que tipo de IA está em uso e o que isso diz sobre onde ela funciona.

Que tipo de IA as empresas estão usando de fato?

O que cresceu foi IA de texto, não de previsão. Entre as empresas que usam inteligência artificial, a mineração de texto e a análise de linguagem escrita passaram de 33% para 38%, e a geração de linguagem natural — a IA que escreve — saltou de 20% para 30% em um ano (Cetic.br, 06/2026).

Isso é coerente com o que se vê na prática. As aplicações de texto entregam resultado sem exigir projeto: resumir um e-mail longo, redigir uma resposta padrão, classificar um chamado, extrair o que importa de um documento. Nenhuma delas pede histórico limpo nem integração entre sistemas — pede só que alguém leia o resultado antes de usar.

Já a IA que prevê demanda, calcula risco ou sugere preço depende de dado histórico consistente. É por isso que ela aparece menos: não é mais difícil de comprar, é mais difícil de alimentar.

O crescimento por setor reforça esse desenho. Em alojamento e alimentação, o uso de mineração de texto foi de 13% para 51% em um ano; em serviços de artes, cultura, esporte e recreação, de 14% para 40% (Cetic.br, 06/2026). São setores que lidam com volume alto de mensagem de cliente — exatamente onde a IA de texto rende sem projeto de dados por trás.

O que esses números não dizem

Três limites importam para quem vai decidir alguma coisa com base nessa pesquisa.

"Usar IA" é uma definição larga. A empresa que marcou "sim" pode ter um projeto estruturado ou pode ter um assistente de escrita ligado no editor de texto. O próprio coordenador do estudo classifica o movimento como adaptação de processos, não mudança estrutural. Ler 17% como "17% das empresas se transformaram" é ler errado.

Não há medida de resultado. A TIC Empresas mede uso, não retorno. Nenhum dos números diz se a IA adotada economizou hora, reduziu erro ou aumentou faturamento. Quem quiser esse tipo de leitura precisa de outra fonte, e convém desconfiar das que são publicadas por quem vende a tecnologia.

O campo terminou em janeiro de 2026. A coleta foi feita entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, e o release saiu em junho de 2026. Num assunto que muda rápido, o retrato tem a idade que tem — o que ele descreve bem é a direção, não o ponto exato de hoje.

O que sobrevive a essas três ressalvas é o achado mais sólido do levantamento, e o mais acionável: a IA entrou nas empresas brasileiras pela porta do software que elas já compravam, e a diferença entre quem tira proveito e quem não tira está em decidir onde usar — não em decidir se adota.


Este artigo foi escrito a partir do release do Cetic.br | NIC.br sobre a TIC Empresas 2025, 16ª edição da pesquisa, publicado em junho de 2026, e dos indicadores da pesquisa.

Três caminhos para adotar IA, e para quem cada um serve

Os percentuais da TIC Empresas somam mais de 100% porque a mesma empresa costuma usar mais de um caminho. O que muda entre eles não é a qualidade da IA — é de quem você depende quando algo para de funcionar.

Três caminhos para adotar IA, e para quem cada um serve
CritérioSoftware prontoFornecedor que adaptaDesenvolvimento próprio
Quem usa esse caminho80% das empresas que adotaram IA.60% contrataram fornecedor externo.37% das grandes; raro nas pequenas.
O que você recebeO recurso que o fornecedor decidiu oferecer, igual para todo mundo.A ferramenta ligada ao seu processo e aos seus sistemas.Exatamente o que foi especificado, e a manutenção junto.
Tempo até o primeiro resultadoDias. Já vem ligado na assinatura.Semanas, quase todas gastas em integração.Meses, e o prazo costuma escorregar.
Onde costuma travarNinguém foi treinado e o recurso fica parado.O dado que a ferramenta precisa ler está bagunçado.A pessoa que construiu sai da empresa.
Quando faz sentidoTarefa comum a qualquer empresa: escrever, resumir, classificar.Quando o processo é seu e a ferramenta pronta não encaixa nele.Quando o processo é o diferencial competitivo da empresa.
PERGUNTAS FREQUENTES

Perguntas frequentes sobre a adoção de IA no Brasil

O que costuma ser perguntado depois de ver o número de 17% circulando.

Em 2025, 17% das empresas brasileiras com 10 ou mais pessoas ocupadas usavam inteligência artificial, contra 13% em 2024, segundo a pesquisa TIC Empresas do Cetic.br | NIC.br, que ouviu 4.174 empresas. A adoção varia muito por porte: 15% entre as pequenas, de 10 a 49 pessoas, e 50% entre as grandes, de 250 ou mais pessoas ocupadas.

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Por , especialista em automação e infraestrutura de IAPublicado em 9 min de leitura